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Dorme, menino, que aí vem a noite escura! E as águas verdes, agora só tem negrura. Para nos descobrir a Lua mergulhada as sondas E, nós, quietinhos, no redemoinho das ondas. Onde enrodilha o cachão, faz teu berço fofinho Ah! Focazinha cansada, rola de mansinho! Nem tubarão ou procela te pode alcançar, Assim embalada nos ternos braços do mar. Canção de Embalar das Focas
Locais
| Novastosná |
“Novastosná oferece o melhor alojamento que há em todo o mundo para as focas.” |
| Cabeço de Hutchinson |
“…uma colinazinha… podiam-se avistar três milhas e meia de terreno coberto de focas em luta…” |
| Lucanon |
“Já encontrei pelo menos cem focas da praia de Lucanon à procura de casa.” |
| Ilha das Lontras |
“Só os holuchiqui vão para a ilha das Lontras. Se para lá fossemos haviam de dizer que tínhamos medo.” |
| Ilha de Juan Fernandes |
A sete milhas da praia de Novastosná. |
Pescoço do Leão Casa de Webster
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Locais aonde se passava para chegar ao matadouro de focas (Casa do Sal). |
| Casa do Sal |
Local dos matadouros de Focas |
| Cachaço do Leão do Mar |
“…onde os grandes Leões do mar se sentam à beira da ressaca…” |
| Ilhota da Morsa |
“…e se fosses À ilhota da Morsa conversar com o Bruxo Marinho?” “…uma pequena nesga rochosa, baixa, que fica quase a nordeste de Novastosná, toda ela saliências de pedra, com ninhos de gaivotas, onde os morsos se reuniam à parte.” |
| Cabo Corrientes |
“…chegado a um local chamado cabo Corrientes… encontrou algumas centenas de focas sarnentas sobre um rochedo, que lhe disseram que os homens também ali vinham.” |
Personagens
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Nome |
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Descrição |
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Limerchin |
Passarinho |
“…é um passarinho estranho, mas sabe dizer a verdade.” |
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Rompão Marinho |
Foca |
“…tinha quinze anos de idade, enorme foca de pêlo cinzento, com coisa como uma juba nos ombros e compridas e cruéis presas caninas.” |
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Matcá |
Mulher de Rompão Marinho |
“…macia, polida, de olhos meigos…” |
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Cótique |
Bebé de Matcá |
“Cótique, o bebé de Matcá, nasceu no meio daquela confusão, e era todo cabeça e ombros, com olhos pálidos de azul de água, como têm de ser as focazinhas, mas a pele tinha alguma coisa que obrigou a mãe a observá-lo…” “…o nosso filho vai ser branco!” |
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Orca |
Roaz-de-Bandeira |
“…barbatana delgada como a de um grande tubarão…” “…devora focas novas quando consegue apanhá-las…” |
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Porco Marinho |
Marsuíno |
“…que é muito discreto.” |
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Quérique Búterin |
Caçador |
“…chefe dos caçadores de focas da ilha..” |
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Patalamon |
Filho de Quérique Béterin |
“…seu filho” |
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Bruxo Marinho |
Morso |
“…do norte do Pacífico, o grande morso disforme, inchado, borbulhento, de pescoço gordo e presas compridas, que não tem educação senão quando dorme...” |
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Vaca Marinha |
Peixe Boi |
“É a única coisa do mar mais feia que Bruxo Marinho. (…) Mais feia e descortês.” “… não fala. Tem somente seis ossos no pescoço, quando devia ter sete, e dizem dentro do mar que é isso que a impede de falar aos seus próprios companheiros…” |
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Gaivota Burgomestre |
Gaivota |
Foi quem deu informações a Cótique sobre a Vaca Marinha., |
Canto que todas as focas mães cantam aos filhos.
Não nadarás sem que tenhas seis semanas Senão o calcanhar não te sustém a cabeça; Rajadas de Verão, orcas assassinas Só fazem mal às focas meninas.
Fazem mal às focas, ó linda ratinha São malévolas até mais não; Mas chafurda, energia retoma, E mal te podes enganar Ó Filha do Alto Mar!
Porco Marinho: “Quando estivermos a sul da água pegajosa (queria dizer o Equador), e o rabo te formigar que dizer que tens temporal pela frente e precisas de virar para norte.”
Dança do Fogo “O mar apresentava-se cheio de lume em noites estivais desde Novastosná a Lucanon e cada foca deixa atrás de si um rasto como de petróleo a arder e um clarão de chama quando salta, e as ondas desfazem-se em grandes traços e rodopios fosforescentes. Depois dirigiram-se para o interior, para os campos dos holuchiqui, e rebolaram-se de um lado para o outro sobre a grama nova, e contaram histórias do que tinham feito enquanto andaram no mar.”
Cótique: “Scuchni! Ochen scuchni! [sinto-me só, muito só]
Lucanon (É a célebre canção do mar alto que todas a focas de S. Paulo cantam quando regressam às suas praias no Verão. É uma espécie de Hino Nacional das focas, muito triste)
De manhã meus irmãos encontrei. (Eu cansado!) Lá onde nos recifes a calema estival Rebentava. E o estridor das rochas abafado P’lo coro de dois milhões de vozes, colossal! Praias de Lucanon!
Aprazíveis recantos junto das lagunas, Esquadrões refolegantes rebolam nas dunas, E os bailados da meia-noite irisando o mar, Antes que os marinheiros lá possam chegar. Praias de Lucanon!
De manhã, meus irmãos encontrei (jamais os verei) Que num vaivém constante a praia, em legiões, Escureciam. E sobre um mar de alvura saudei Os bandos que aportavam com lindas canções. Praias de Lucanon!
Praias de Lucanon, de trigo tão crescido – Línquenes enrugados, brumas sofocantes, Teatro de folguedos pelo uso polido! Praias de Lucanon – nosso berço de infantes!
De manhã os encontrei – hoste desmembrada Fuzilam-nos na água e na terra à mocada, Os homens matam; À salina nos tangem quais mansos cordeiros; Cantemos Lucanon – antes que cheguem os foqueiros.
Virar! Virar! Ao sul! Ó Guverusca, segue! Conta aos Vices-Reis do Mar que a dor nos persegue; Ovos de tubarão ocos vomita o mar E já Lucanon seus filhos não pode amar! |
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