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 Capitulo IV - A Foca Branca

 

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Dorme, menino, que aí vem a noite escura!
E as águas verdes, agora só tem negrura.
Para nos descobrir a Lua mergulhada as sondas
E, nós, quietinhos, no redemoinho das ondas.
Onde enrodilha o cachão, faz teu berço fofinho
Ah! Focazinha cansada, rola de mansinho!
Nem tubarão ou procela te pode alcançar,
Assim embalada nos ternos braços do mar.
Canção de Embalar das Focas

Locais

Novastosná “Novastosná oferece o melhor alojamento que há em todo o mundo para as focas.”
Cabeço de Hutchinson “…uma colinazinha… podiam-se avistar três milhas e meia de terreno coberto de focas em luta…”
Lucanon “Já encontrei pelo menos cem focas da praia de Lucanon à procura de casa.”
Ilha das Lontras “Só os holuchiqui vão para a ilha das Lontras. Se para lá fossemos haviam de dizer que tínhamos medo.”
Ilha de Juan Fernandes A sete milhas da praia de Novastosná.
Pescoço do Leão
Casa de Webster
Locais aonde se passava para chegar ao matadouro de focas (Casa do Sal).
Casa do Sal Local dos matadouros de Focas
Cachaço do Leão do Mar “…onde os grandes Leões do mar se sentam à beira da ressaca…”
Ilhota da Morsa “…e se fosses À ilhota da Morsa conversar com o Bruxo Marinho?”
“…uma pequena nesga rochosa, baixa, que fica quase a nordeste de Novastosná, toda ela saliências de pedra, com ninhos de gaivotas, onde os morsos se reuniam à parte.”
Cabo Corrientes “…chegado a um local chamado cabo Corrientes… encontrou algumas centenas de focas sarnentas sobre um rochedo, que lhe disseram que os homens também ali vinham.”

 

Personagens

  Nome   Descrição
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Limerchin

Passarinho

“…é um passarinho estranho, mas sabe dizer a verdade.”

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Rompão Marinho

Foca

“…tinha quinze anos de idade, enorme foca de pêlo cinzento, com coisa como uma juba nos ombros e compridas e cruéis presas caninas.”

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Matcá

Mulher de Rompão Marinho

“…macia, polida, de olhos meigos…”

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Cótique

Bebé de Matcá

“Cótique, o bebé de Matcá, nasceu no meio daquela confusão, e era todo cabeça e ombros, com olhos pálidos de azul de água, como têm de ser as focazinhas, mas a pele tinha alguma coisa que obrigou a mãe a observá-lo…”
“…o nosso filho vai ser branco!”

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Orca

Roaz-de-Bandeira

“…barbatana delgada como a de um grande tubarão…”
“…devora focas novas quando consegue apanhá-las…”

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Porco Marinho

Marsuíno

“…que é muito discreto.”

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Quérique Búterin

Caçador

“…chefe dos caçadores de focas da ilha..”

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Patalamon

Filho de Quérique Béterin

“…seu filho”

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Bruxo Marinho

Morso

“…do norte do Pacífico, o grande morso disforme, inchado, borbulhento, de pescoço gordo e presas compridas, que não tem educação senão quando dorme...”

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Vaca Marinha

Peixe Boi

“É a única coisa do mar mais feia que Bruxo Marinho. (…) Mais feia e descortês.”
“… não fala. Tem somente seis ossos no pescoço, quando devia ter sete, e dizem dentro do mar que é isso que a impede de falar aos seus próprios companheiros…”

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Gaivota Burgomestre

Gaivota

Foi quem deu informações a Cótique sobre a Vaca Marinha.,

 

Canto que todas as focas mães cantam aos filhos.

Não nadarás sem que tenhas seis semanas
Senão o calcanhar não te sustém a cabeça;
Rajadas de Verão, orcas assassinas
Só fazem mal às focas meninas.

Fazem mal às focas, ó linda ratinha
São malévolas até mais não;
Mas chafurda, energia retoma,
E mal te podes enganar
Ó Filha do Alto Mar!

Porco Marinho: “Quando estivermos a sul da água pegajosa (queria dizer o Equador), e o rabo te formigar que dizer que tens temporal pela frente e precisas de virar para norte.”

Dança do Fogo
“O mar apresentava-se cheio de lume em noites estivais desde Novastosná a Lucanon e cada foca deixa atrás de si um rasto como de petróleo a arder e um clarão de chama quando salta, e as ondas desfazem-se em grandes traços e rodopios fosforescentes. Depois dirigiram-se para o interior, para os campos dos holuchiqui, e rebolaram-se de um lado para o outro sobre a grama nova, e contaram histórias do que tinham feito enquanto andaram no mar.”

Cótique: “Scuchni! Ochen scuchni! [sinto-me só, muito só]

 

Lucanon
(É a célebre canção do mar alto que todas a focas de S. Paulo cantam quando regressam às suas praias no Verão. É uma espécie de Hino Nacional das focas, muito triste)

De manhã meus irmãos encontrei. (Eu cansado!)
Lá onde nos recifes a calema estival
Rebentava. E o estridor das rochas abafado
P’lo coro de dois milhões de vozes, colossal!
Praias de Lucanon!

Aprazíveis recantos junto das lagunas,
Esquadrões refolegantes rebolam nas dunas,
E os bailados da meia-noite irisando o mar,
Antes que os marinheiros lá possam chegar.
Praias de Lucanon!

De manhã, meus irmãos encontrei (jamais os verei)
Que num vaivém constante a praia, em legiões,
Escureciam. E sobre um mar de alvura saudei
Os bandos que aportavam com lindas canções.
Praias de Lucanon!

Praias de Lucanon, de trigo tão crescido –
Línquenes enrugados, brumas sofocantes,
Teatro de folguedos pelo uso polido!
Praias de Lucanon – nosso berço de infantes!

De manhã os encontrei – hoste desmembrada
Fuzilam-nos na água e na terra à mocada,
Os homens matam;
À salina nos tangem quais mansos cordeiros;
Cantemos Lucanon – antes que cheguem os foqueiros.

Virar! Virar! Ao sul! Ó Guverusca, segue!
Conta aos Vices-Reis do Mar que a dor nos persegue;
Ovos de tubarão ocos vomita o mar
E já Lucanon seus filhos não pode amar!