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 Capitulo VI - Tumai dos Elefantes
 

 

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Lembrar-me eu quero do que fui. Farto estou de cadeia e corda.
Meu vigor doutrora vou lembrar, vida que a selva recorda.
Por um feixe de cana-de-açúcar meu dorso não vou trocar;
Ao povo da floresta em seus covis, aos meus quero voltar.

Andar à solta até quem rompa o dia, até que surja a aurora,
Sorver da brisa e do orvalho a carícia tonificadora:
A tenaz do tornozelo olvidar, partir estes grilhões!
Meus amores perdidos quero ver, livres e brincalhões!

Locais

Diangue

“Quantos meandros tem este rio Diangue?”

Garou

“…no coração dos montes Garou!”

Personagens

  Nome   Descrição
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Cala Nague

Elefante

“Cala Nague que quer dizer Cobra Negra, servira o governo da Índia durante quarenta e sete anos…”

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Rada Piari

Mãe Cala Nague

“Sua mãe, rada Piari – Rada, a queridinha…”

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Tumai Grande

Elefante “o condutor”

“…Tumai Grande, o condutor, filho de Tumai Preto,… e neto de Tumai do Elefantes…”

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Tumai Preto

Pai de Tumai Grande

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Tumai dos Elefantes

Avô de Tumai Grande

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Tumai Pequeno

Filho mais velho de Tumai Grande

“…estatura de quatro pés, com um trapo apenas sobre o corpo. Tinha dez anos, o filho mais velho de Tumai Grande…”

 

Peter Sàibe

Chefe das operações

“Era o chefe de todas as operações da quèdá – aquele que apanhava todos os elefantes para o Governo da Índia e que sabia mais dos costumes dos elefantes do que qualquer outro homem vivo.”

 

Machua Appa

Pisteiro-mor

“…o pisteiro-mor…”

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Barmão

Novilho

“…quando tentávamos afastar da mãe aquele jovem novilho com a malha na espádua.”

 

Xiva e o Gafanhoto
(Canção que a mãe de Tumai cantava ao menino)

Xiva, que derramava a colheita, e os ventos com a voz possante
Agitava, sentado no limiar dum dia já distante,
A cada um deu seu quinhão: comida, labor, desengano,
Desde o pedinte ao portal até ao trono do soberano.

Todas as coisas criou, Ele, Xiva, o Conservador.
Mahadeo! Mahadeo! De tudo é criador –
Espinhos ao camelo, feno para os bois e À face dormente
O coração terno duma Mãe, ó meu filhino inocente1

Dispensou o trigo ao rico, e o milho alvo aos deserdados,
Sobejos de presigo aos santinhos que esmolam desdenhados;
Gado ao tigre e ao milhafre a carne apodrecida;
Vísceras, ossadas, à noite, ao lobo sem guarida:
Não achou ninguém de mais humilde ou alto demasiado
E Parbati, enlevada, via-os partir e chegar, a seu lado.
Expondo Xiva à troça, o marido engana em fútil devaneio:
Apreendeu um pequeno gafanhoto, escondendo-o no seio.

E assim enganou ela a Xiva, o Conservador.
Mahadeo! Mahadeo! Voltai-vos a ver:
Majestosos os camelos e os bois de peso ingente:
Mas este era o mais pequenino, ó meu filhinho inocente!

E feita a distribuição, Ela, este gracejo Lhe dá:
“Dum milhão de bocas, sem comer, nem uma só haverá?”
Rindo, Xiva, o Mestre, respondeu: “Cada um tem seu quinhão;
Até mesmo esse pequenino que tens junto ao coração.”
Entrementes, do seio o arrancou Parbati, a que roubava
E viu que o mais pequeno dos seres folha tenra devorava.
Contemplou, temeu, extasiou-se e fez a Xiva uma prece
Àquele que alimenta e vivifica a tudo quanto cresce.

Todas as coisas criou, Ele, Xiva, o Conservador.
Mahadeo! Mahadeo! De tudo é Criador –
Espinhos ao camelo, feno para os bois e À face dormente
O coração terno duma Mãe, ó meu filhinho inocente!